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16 de novembro de 2010

Discussões geopolíticas no msn: como salvar um país socialista da falência?



O que o meu aluno do oitavo ano faria caso fosse o presidente de um país socialista falido:



Continua...

Raul Castro, ta aí a solução pra Cuba!! Vai fundo!!

Terrorismos de Final de Ano: Neuroses de Outubro



Não existe momento tão propício quanto o final de ano pra sentirmos que a sanidade mental simplesmente tirou férias. Para o professor, o final do ano é em outubro.

OUTUBRO

Há uma teoria que secretamente se espalha por entre o meio docente: todos os professores hão de enlouquecer no mês de outubro. Eu sou a prova viva de que ela funciona.

O mês de outubro representa um período de instabilidade para o professor: 
  • O ano já avançou demais, portanto não resta muito tempo para trabalhar os conteúdos que faltam
  • O ano não avançou o suficiente para se vislumbrar as tão queridas férias
  • Nenhuma criança vai lembrar do dia do professor e o professor deve conviver em paz com isso
  • Todo mundo deve lembrar do dia das crianças sob pena de sofrer severas repreensões (por parte das crianças) 

O mês de outubro é a época em que os professores mais consomem chocolates, refrigentes e cafeína em geral. Muitos se demitem (ou são demitidos, nas escolas particulares) nesse mês fatídico.

NOVEMBRO

Novembro é um mês de pedagogia xiita. Você ameaça tirar nota, chantageia dizendo que vai dar nota, briga com os alunos, negocia com os alunos, implora pros alunos...não adianta. Todo o tipo de terrorismo docente falha. Eles não te querem, não querem aula e passam a desenhar o logo da escola atrás das grades de uma prisão. Nas paredes da sala.

Em novembro, todo e qualquer aluno que puder matar aula em dia de prova, vai (para desespero do professor, que terá de formular outra prova). Ele dormirá até mais tarde, será deixado no portão da escola mas nunca entrará, chegará sem uniforma no segundo período e sabotará o despertador dos próprios pais se isso lhe render um dia a menos de aula.

Novembro é o mês em que o planejamento de aula fica menos rigoroso, em que os professores levam quase 10 minutos para chegar na outra sala com a troca de períodos (mesmo que seja na sala do lado) e em que você se desespera porque tem 784 trabalhos/provas/testes/exercícios/temas pra corrigir no sábado à noite.

Novembro é o mês em que você se arrepende de não ter pedido demissão em outubro.

DEZEMBRO

Dezembro é o mês da reconciliação. Da paz. Do amor. Isso se dá pelo fato de que as aulas em escolas particulares costumam acabar no início de dezembro, em sua primeira semana.

As notas são fechadas de qualquer jeito, tenham eles entregue os trabalhos ou não.

As aulas são puramente uma formalidade, na prática, elas são festas. Com direito a filmes, pipocas, refris, chocolates e amigos-secretos de todos os valores que a mesada dos alunos comportar. É o único mês do ano em que os alunos (sem precisar) aparecem na escola voluntariamente, no horário certo, de uniforme e bem-humorados. É uma contradição. É um paradoxo. É uma sacanagem.

Mas nós não ligamos. Não lembramos dos traumas do ano, nem das nossas caricaturas nos cadernos, nem das ameaças.

Em dezembro a gente descansa. Come direito, dorme direito, e se dá ao luxo de se demorar um pouco mais no banheiro para fazer o número 2 sem pressa.

JANEIRO

Você sente falta das criaturinhas. Até se pergunta "por que eu queria tanto me livrar deles?" É inexplicável.

FEVEREIRO

Você lembra.

11 de novembro de 2010

Quando os alunos superam a si mesmos (e ao mestre)



Juro que hoje foi um dia que todo professor pediria a Deus (ou, pelo menos, aqueles mais chegados com o Altíssimo).

Dei 4 períodos tranquilíssimos de aula tendo em mente que tranquilidade não significa só ausência de agitação (um mal que sempre nos aflinge no final do ano), mas a participação e o interesse da turma. Afinal, se eles não gostam, não se interessam ou não se sentem atraídos, não é uma aula tranquila...pra mim.

Nos últimos períodos, descubro que os meus alunos do 8º ano adquiriram uma certa "intelectualidade" e um gosto por discutir (e não polemizar, o que é totalmente diferente) todos os assuntos. Normalmente, as soluções por eles apresentadas aos problemas começam com a frase "QUANDO eu for presidente..." e discorre-se uma série de soluções e medidas sócio-administrativas. É fascinante. Eu considero um exercício mental muito saudável, uma vez que eles percebem por si mesmos que possuem um cérebro funcionante.

Entretanto, esse crescimento intelectual exponencial pode intimidar um professor mais inseguro. É quando os alunos demonstram que sabem - e de fato, o sabem - mais do que o professor, mesmo que seja sobre um assunto pequeno e específico. Eu fico feliz da vida. Significa que eu terei que dar menos aulas e menos explicação.

Hoje, ao falar sobre alguns "pólos econômicos brasileiros" (café no sudeste, cana-de-açúcar no nordeste, charque no sul, etc) meu aluno, subitamente, começa uma verborragia sobre teorias econômicas, taxas cambiais e as funções do Banco Central. Confesso, com uma certa vergonha, que eu mesma só fui aprender tudo isso a uns 4 meses, quando comecei a disciplina de "Política e Economia Brasileira" na faculdade. Fiquei impressionadíssima. Ele não simplesmente recitou algo pronto. Ele SABIA.

No final, ele disse que a alternativa pra enriquecer é comprar dólares quando o câmbio estiver baixo e esperar até que o BACEN compre os dólares que sobram na economia pra que o câmbio suba novamente e ele possa trocar os dólares pela moeda nacional...em maior quantidade, óbvio. O discurso também envolveu a clássica frase "Quando eu for presidente...". (Gravei a versão "mini" do discurso no celular, mais tarde ponho o áudio).

Quando eu vi que a aula rendeu mais do que o ano inteiro, e que mesmo assim haviam grupinhos dispersos, pedi aos interessados na aula que sentassem à frente para continuarmos o diálogo. Surpreendi-me quando 50% da turma pegaram suas classes e as trouxeram até a frente. Tendo apenas 2 semanas para o final do ano, é muito raro ver essa enorme quantidade de alunos dispostos.

Só não me ajoelhei no chão e chorei agradecendo a Deus ali mesmo porque precisava garantir minimamente a minha dignidade profissional.

Fascinante, adorei. Os alunos devem superar os mestres.
Mas não a ponto de tirar-lhes o emprego, é claro.

Fatos do Dia: política



Cada aula é uma surpresa e nunca haverá duas iguais na história da humanidade, embora eu tente reproduzir toda e qualquer aula minha que tenha dado certo.

Hoje entrei pra dar aula na minha turma querida do 8ºano (7ª série), que desde o início do ano se mostrava bem interessada, mas ao mesmo tempo sempre muito relutante quanto ao próprio conhecimento. Chamavam-se sempre de "burros", "ignorantes" ou diziam "que diferença vai fazer pra minha vida aprender isso?".

Ao entrar na sala, comecei a dar uma aula bem histórica com fatos antigos e tudo o que um professor de história tradicional diria ser indispensável. De repente, um deles levanta a mão e pergunta:

"Sora, quando é que vamos voltar a poder discutir ECONOMIA e POLÍTICA?!"

Me caiu o queixo.

1 de novembro de 2010

Tentando coisas novas: Roller Coaster Tycoon

(Capa do jogo. Já vi sendo vendido nessas revistinhas com cd, por R$ 9,90)
(Imagem de um parque construído com o jogo, versão antiga).

Pedir pra um aluno fazer um trabalho em casa que exija uma pesquisa muito longa é obrigá-lo a recorrer ao Google à Wikipédia (e mesmo assim, graças a Deus pelos dois existirem).


Gosto de usar filmes e jogos, e recomendá-los, quando possível, aos alunos para que aprofundem ou fixem o conteúdo que estamos estudando. A inovação da semana foi indicar o Roller Coaster Tycoon como trabalho para entregar.

Nas aulas de geografia, temos estudado os sistemas capitalista e socialista, e o jogo Roller Coaster (além do seriado Simpsons, ver no post acima) ajuda a ilustrar muito bem como funciona o sistema capitalista. No jogo, os alunos precisam criar um parque de diversões e torná-lo próspero e bem-visto. Para isso, devem-se valer de algumas prerrogativas do sistema capitalista (pagar salários baixos aos funcionários do parque para aumentar os lucros, controlar a qualidade e o preço dos produtos e souvenirs vendidos, investir em painés e propagandas e usar as previsões do tempo e o sistema de empréstimo financeiro a seu favor).

Meus alunos vão jogar Roller Coaster por 3 meses "virtuais" (que deve ser alcançável com talvez um pouco mais de 2h de jogo seguidas em apenas um dia) e me entregar um relatório sobre todas as práticas que eles usaram para serem bem-sucedidos no jogo. Com isso, eles podem perceber o que o sistema capitalista na vida real pode fazer e como pode afetá-los, sabendo que as mesmas medidas que eles usaram no jogo podem ser usadas também contra eles na vida real.

É um joguinho bem simples, que não exige muito espaço no PC, não tem grandes gráficos e as cores chegam a ser meio limitadas, mas já saíram versões bem melhores. Recomendo.

Meus alunos saíram dizendo por aí que era o primeiro trabalho que eles estavam realmente ansiosos para fazer.

Assim espero.

Fatos do dia



Venho, desde o início do ano, tentando incentivar o hábito da leitura entre os meus alunos.
Levando-se em consideração que a maioria deles lê apenas o que eles mesmos escrevem na internet, fiquei feliz da vida quando meus alunos do 9º ano chegaram até quase o final dos livros* que eu havia lhes dado como trabalho, em 2 meses. E não eram livros pequenos.

Como em time que está ganhando não se mexe, resolvi aplicar a mesma tática com os alunos do 8º ano, adotando como trabalho um livro gostoso de ler mas com ideologias e enredo complexos o suficiente para deixá-los intrigados.

Longe da reação do 9º ano, os do 8º ano detestaram a idéia de ter que ler um livro. Continuei incentivando-os e os fiz ler o primeiro capítulo inteiro do livro indicado.

Vocês já devem saber que aluno é um bicho orgulhoso e não dá o braço a torcer.
Passeando pelas redes sociais e microblogs por aí, descobri a mais pura verdade sobre os fatos...eles gostaram do livro! Eis o tweet que o meu aluno postou em seu twitter (com sua escrita característica):

"vou me matar. to gostando do livro da aula de história que a professora @(meu twitter) deu. É pelo jeito eu mudei".

Ahá! Eles não me enganam. Ponto pra mim.
______________________________________
*Livros que ofereci aos meus alunos para lerem até o presente momento: (Eles escolhem dentre as opções dadas para ler e relatam o seu avanço semanalmente)

8º ano: A Revolução dos Bichos (George Orwell)

9º ano: Hiroshima, Gigantes no Coração, O Diário de Anne Frank, O que é Isso Companheiro? e Um Repórter na China;

31 de outubro de 2010

Sabedoria Educanda: -Q e -N



Você já deve saber que uma das coisas que mais deixa o professor em pânico® é a linguagem dos alunos. Tenho alguns alunos adicionados em meu messager e descobri recentemente o que querem dizer aqueles sinaizinhos que eles mandam.

Enquanto escrevo este post, meu aluno corrige as minhas falhas na linguagem internética e me revela que "loko" não se escreve com k há muito tempo. Engraçado. Pensei que ainda se escrevesse assim, pois essa expressão recentemente apareceu em uma das minhas provas:

"...tipo, Napoleão foi o cara que ficou preso numa ilha com uns lokinhos (sic) e depois fugiram"

Compartilho com vocês o que aprendi, colando diretamente a explicação que ele me deu no post (em amarelo). Ninguém está livre de ter que ler essas coisas por aí:

Sobre o uso do sinal "-Q" em uma frase:
-Q é uma ironia não muito ironia, é mais pra ter algo a mais na frase.
Mas o -Q também serve pra demonstrar que tá surpreso. Tipo:
"Nossa! -Q"

Sobre o uso do sinal "-N" em uma frase:
-N significa bastante ironia.
E quando é "-NNNNNNNNNNNNN" é pq ele não sabe nem explicar o porque de tanta ironia

E o gran finale:
"loko" com k não se usa faz uns anos professorinha.

E eu aqui feliz da vida porque sabia fazer carinhas felizes com sinais gráficos. Hunf!

29 de outubro de 2010

Sabedoria Educanda: pensadores iluministas



Esses dias, muito a contra-gosto, fui obrigada a aplicar uma prova de recuperação cujo conteúdo era Revolução Francesa e Era Napoleônica.

Eu tenho em mente que se um aluno não estuda pras provas que eu dou, tampouco estudará para as recuperações, mas insisto sempre que eles devem ter uma nova chance, nem que seja só pra gastar papel da Secretaria.



Estavam lá, três, num cantinho da sala, enfileirados, respondendo às questões mais difíceis de suas vidas quando um deles dá um longo suspiro e fala:

"Ai que saudade de estudar os pensadores iluministas!"

Sim, meus alunos gostam dos pensadores iluministas.
Não entendi como eu fiz isso.